Ataques de Pânico

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Olá Marta

Mensagem por Admin em Dom Maio 13, 2012 12:07 am

Gostei bastante do teu testemunho. Principalmente porque me revi nele. Eu também tenho ataques de pânico e muitas vezes acabo por tê-los nos sítios menos esperados e, tal como aconteceu no teu caso, isso tem uma consequência. O facto de vivenciarmos um episódio de pânico forte num determinado local, faz-nos crer quase que aquela situação se vai sempre repetir no mesmo local e acabamos por evitá-lo. Agora imaginem o que é, quando já tiveram muitos ataques de pânico em muitos locais diferentes. Pois... Torna a vida muito limitada e é isso que leva as pessoas a trancarem-se em casa por conta do "medo de ter medo".

Fico contente que estejas melhor, que tenhas procurado ajuda e a tenhas sabido usar da melhor forma possível. Não precisamos de rótulos, de diagnósticos muito bem limitados (até porque isso por vezes é impossível), nem tão pouco de sentir vergonha por sermos humanos. Precisamos sim de ajuda e apoio para ultrapassar as dificuldades.

Beijinhos,
Kitty
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Ataques de Panico

Mensagem por marta_ em Ter Maio 08, 2012 11:28 pm

Boa noite,

Venho aqui partilhar a minha história sobre os meus ataques de pânico.
Desde que me dou por gente que sempre fui nervosa/ansiosa, cresci num ambiente familiar que apesar de amarmo-nos muito, é um pouco disfuncional. A primeira vez que experienciei um ataque de pânico, tinha eu uns 14 anos, achei que estava a ter um ataque cardiaco ou algo relacionado, uma vez que tenho um historial cardiaco familiar bem extenso. Nessa altura comecei a tomar valdispert que não fez absolutamente nada, até que deixei de o tomar, a verdade é que só 10 anos (ano passado) depois voltei a ter um.
Aconteceu num autocarro durante a ida para a faculdade, comecei a sentir um mal-estar crescente, o barulho que o autocarro fazia a descer a calçada da estrela era nesse momento para mim brutal, parecia que o autocarro ia completamente desgovernado e que poderia embater a qualquer momento, aí então comecei a sentir um aperto no coração acompanhado com palpitações, o episodio foi muito intenso.
Mas não ficou por ai, apartir desse momento comecei a evitar ao maximo a utilização de autocarro e a usar preferencialmente o metro(cheguei a andar 8kms para evitar o bus), até que no metro também começou a acontecer, só o barulho do metro a passar no carris era muito incomodativo.
Aos fins-de-semana sempre ia à margem sul de comboio visitar o meu namorado e numa das viagens, quando o comboio passava pela ponte, tive o pior ataque de todos, além dos sintomas já descritos, sentia-me toda a tremer, a suar, o tempo do comboio a passar pela ponte era demasiado longo para mim.
Tentei evitar ao máximo o uso de transportes, mas como era o meu ultimo ano de faculdade e este envolve muitos estagios em diversas clinicas e hospitais, não os pude evitar completamente. Andava kms e kms até estar completamente esgotada para ai entao entrar no metro e so andar 2estações.
Nessa altura a médica de clinica geral receitou-me alprazolam, que tomava em sobredosagem e muitas vezes não resultava, cheguei a ingerir 4comprimidos de 0.5mg e nada.
Não conseguia dormir devido às palpitações.
Até que um dia resolvi a muito custo admitir que era uma doença psiquica e ultrapassar o estigma e ir a um psiquiatra. Tive muita sorte no médico, que me receitou um anti-depressivo e digo-vos melhorou imenso, apesar dos ataques continuarem durante muito tempo a serem ainda uma constante, melhorou imenso a minha forma de lidar com eles, obvio que não totalmente. Até que numa das consultas ele falou-me dos beneficios da psicoterapia.
Já se passou 1 ano e meio, ainda não realizei psicoterapia apesar de no futuro querer faze-la, encontro-me muito melhor o meu nivel de ansiedade geral no dia-a-dia diminuiu imenso, graças tanto à medicação como meditação, exercicio fisico, ler sobre psicologia positiva, etc..
O desmame do anti-depressivo ainda não o consegui faze-lo pois acho que ainda estou muito dependente dele para controlar os ataques, mas o do alprazolam já o fiz, foi um processo muito chato mas que valeu a pena.
Já não uso tanto transportes publicos por ja ter a carta e mudei me de cidade, portanto não posso dizer que ja estou curada.
O mais interessante disto tudo é que melhorei imenso, sem o medico me etiquetar com doença alguma, para ele foi como se não tivesse um diagnostico clinico, as coisas acontecem com quem têm que acontecer, tudo tem uma razão, não foi necessário para mim saber se tenho/tive fobia social, ansiedade generalizada, claustrofobia ou alguma forma de depressão.
Falo do meu caso porque conheco outras pessoas em situações semelhantes que resumem a sua vida a estar dentro de casa a nao sair da zona de conforto nem a procurar um psiquiatra, pois para mim isso foi muito importante no tratamento dos ataques de panico.
De nada vale esconder o lixo debaixo do tapete, se temos depois que lidar com ele.

Desculpem lá a extensao do texto,
Marta

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Re: Ataques de Pânico

Mensagem por Alix CH em Ter Maio 08, 2012 12:17 am

óptimo Smile
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Ataques de Pânico

Mensagem por Admin em Seg Maio 07, 2012 11:25 pm

Vamos falar sobre ataques de pânico e ansiedade
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Re: Ataques de Pânico

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